sábado, 2 de outubro de 2010

Sketchbook + Morro da Conceição


Pé sujo na Rua João Homem 
às vésperas da eleição para Presidente, 



Churrasquinho de gato no Largo de São Fancisco da Prainha
para curar a ressaca do escravos da Mauá

A primeira vez que ouvi falar no morro da Conceição foi na graduação em arquitetura e urbanismo, mas que porra de morro é esse? pensei. Santa ignorância, o morro é um dos marcos da ocupação original da cidade e, junto com os morros do Castelo, de Santo Antônio e  de São Bento, delimitava o núcleo urbano do Rio de Janeiro, onde a cidade se desenvolveu durante os seus três primeiros séculos de vida desde a sua fundação, em 1565. 
O aspecto da ocupação residencial de suas encostas  e o rítmo dessacelerado de seus habitantes nos remetem, até hoje, aos bairros tradicionais portugueses. No entanto, as transformações urbanas no entorno e o crescimento da cidade acabaram escondendo o morro atrás de enormes edifícios. Não é de se admirar que um estudante universitário ignorante não conhecesse o lugar, ele não era visível aos desatentos ou aos exploradores menos curiosos. Enfim...mas é melhor ficar escondido do que compartilhar o destino dos morros do Castelo e de Santo Antonio, ambos derrubados ainda na primeira metade do século XX.
Uma pequena capela construída no topo do morro em 1590 em homenagem à Nossa Senhora da Conceição acabou dando origem ao nome do morro. Mas além do nome no morro, alguns nomes de ruas são muito interessantes e nos transportam para um tempo que não existe mais, um tempo mais informal, onde os nomes das ruas falavam um pouco sobre as mesmas. Como exemplo, posso citar a rua do Escorrega (que é um ladeirão) ou a rua do Jogo da Bola, a travessa do Sereno, o largo da Pedra do Sal (onde as embarcações descarregavam sal no passado).
No morro da Conceição, a cultura carioca se manifesta na rua, no espaço público, e mistura todo tipo de gente. Gente como a gente e também as figuras mais bizarras. Acho que isso é o máximo, é ótimo, e para completar, totalmente grátis, 0800.
A famosa Pedra do Sal era e é o ponto de encontro de sambistas. Toda segunda-feira à noite podemos aproveitar a concorrida roda de samba da Pedra do Sal para ouvir  e cantar de peito aberto os sambas clássicos de Candeia, Cartola, Walter Alfaiate, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Élton Medeiros, Dona Ivone Lara, Donga, Geraldo Pereira e tantos outros. Como diz a música: 
"a nêga vai reclamar, isso pra mim é normal, 
toda segunda-feira tem roda de samba na Pedra do Sal."
Nas noites de sexta-feira, a boa para matar a saudade das clássicas marchinhas de carnaval é o disputado bloco do Escravos da Mauá, que rola no largo de São Francisco da Prainha.

Museu Histórico Nacional

Pátio dos Canhões

Pátio da Minerva

Sheron ;)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Sketchbook + Sol + Ipanema



Tenho uma "tioria" (expressão que uso para pseudo-teorias cientificamente não comprovadas, vulgo, minha opinião). O pessoa que não gosta de praia não é inteiramente carioca, é um semi-carioca ou um pseudo-carioca. Assim como a pessoa que nasce na cidade do Rio de Janeiro e não torce para o Flamengo ou que não gosta de samba, de Cartola, Candeia, Paulinho, de tardes de domingo no Maráca, de feijoada na Portela, que não fica rouco quando vai na Pedra do Sal ou no Renascença (salve meu amigo Moacyr Luz, um abraço), que não se acaba nos blocos de Carnaval, que nunca mandou ver uma pizza na Guanabara às quatro da madruga... também são semi-cariocas. Não adianta, não entendem a liturgia do cargo, não compartilham do nosso genius loci, das histórias cotidianas que correm nas artérias dessa cidade.
Entre um mergulho e outro, fiz no meu sketchbook estas aquarelas, em mais um habitual lindo dia de calor na cidade maravilhosa. Levei um pequeno estojo de aquarela, lápis e borracha e alguns pincéis. O desenho tem que ser rápido, as pessoas chegam ,ficam um pouco e vão logo embora, mudam de posição toda hora, algumas só passam (como os ambulantes). Os desenhos das pessoas foram se sobrepondo, as pessoas que via eram desenhandas sobre os desenhos daquelas que haviam partido. É preciso capturar o espirito da cena, a essência do lugar, incluir os personagens urbanos, os arquétipos do inconsciente coletivo, o cara do mate, o vendedor de biquinis, o cara da mousse, as falas dos ambulantes, a mulher gostosa, o morro dois irmãos.
Durante o trabalho acabou acontecendo um acidente feliz, algo não planejado. O cara do mate foi desenhado sobre o desenho das pernas das meninas que estavam atrás dele. Ficou parecendo a sobreposicão de duas camadas de desenho, mas também ficou parecendo a imagem de uma outra coisa refletida no latão de mate. Gostei dessa ambiguidade, um desenho que transita entre duas coisas, talvez, tenha algo a mais para oferecer. Uma coisa que paira entre possíveis categorizações é melhor que outra que entra direto dentro da caixa. provoca uma real experiência. Certa vez, um professor meu, para exemplificar essa questão, usou uma citação de Picasso: Quero fazer algo que é um morcego sem deixar de ser uma caixa de fósforo.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

CADERNOS URBANOS no Museu Histórico Nacional (18/09/2010)

 foto:  http://www.panoramio.com/photo/6747568

Prezados,
No sábado (18/09/2010), de 14 às 18 hs, invadiremos o pátio dos canhões dentro do Museu Histórico Nacional, no Centro do Rio de Janeiro. Levem seus cadernos de croquis, canetinhas, aquarelas, etc.
Quem quiser pode chegar.
Todo sábado um lugar diferente, até o final do ano.
aquele abraço.

domingo, 12 de setembro de 2010

Retrato em aquarela, cortesia de Eduardo Belga, meu amigo ilustrador de Brasília

Estudando Sargent

John Singer Sargent é um dos meus artistas favoritos, viveu de 1856 a 1925 e estudou arte em Paris. Era filho de americanos, mas nasceu em Florença, Itália. Seu trabalho revelava influências do impressionismo e do grande mestre espanhol Velásquez. Suas aquarelas da cidade de Veneza são extraordinárias e, na minha opinião, foi um dos maiores retratistas de sua época.

Esta minha aquarela é um estudo onde usei como referência o quadro de Sargent intitulado Cravo, Lírio, Lírio, Rosa (1885/86) 2,99 x 1,53 m - Tate Gallery, Londres. Este quadro foi pintado nos outonos de 1885 e 1886 em Farnham House e Russel House, casas de Frank Millet em Broadway, Inglaterra. As duas meninas (só desenhei uma), Dorothy e polly, eram filhas do artista Frederick Barnard. Quando as flores do jardim murchavam, Sargent transportava canteiros de rosas e pedia que plantassem novos lírios. A obra foi feita inteiramente ao ar livre e, como o crepúsculo era de pouca duração, o cavalete, a tela e os modelos tinham que ficar a postos à espera daquela luz especial.

Estudando Freud

Estudo, em aquarela, do quadro de Lucian Freud intitulado Night portrait (Retrato noturno, 1976-1977- óleo sobre tela, 71 x 71 cm, coleção privada).
Lucian Freud nasceu em 1922, em Berlim e é neto de Sigmund Freud. Apesar de nascido na Alemanha, estudou pintura em Londres, onde chegou em 1933. 

Os temas de Freud são geralmente de pessoas nas suas vidas; amigos, família, amores, crianças. Nas palavas do artista "o assunto do tema é autobiográfico, tudo sempre tem a ver com esperança e memória e sensualidade e envolvimento, mesmo." "Eu pinto pessoa - diz Freud - não precisamente pelo que elas parecem, não exatamente pelo que elas são, mas como eles deveriam ser."

Estudo, em aquarela, de Ilhabela (São Paulo)

Essa é a praia do Perequê em Ilhabela, São Paulo. Fiz esta aquarela durante uma tarde de sábado no curso do Cárcamo, um grande aquarelista e ilustrador chileno-brazuca, realmente um mestre jedi da aquarela. Valeu pelos ensinamentos mestre Cárcamo, vou divulgar seu curso para o povo aqui do Rio. <http://gcarcamo.blogspot.com/>
Aquele abraço e que a força esteja com você.

Estudo, em aquarela, de Paraty

sábado, 21 de agosto de 2010

Modelo Vivo + Aquarela no Cadernos Urbanos

Georgia e David, ambos da Escola Nacional de Circo, resolveram se aventurar como modelos vivos no Cadernos Urbanos. No começo estavam meio nervosos, por ser a primeira vez, mas agora, depois de três aulas, acho que estão curtindo bastante. Na última aula o David ficou com febre e não pode vir, mas a Georgia veio e resolveu atacar de Pin-up. Aproveitou também para nos contar seu passado de skatista nas ruas de São Paulo.

domingo, 4 de julho de 2010

Morena Flor - Trabalho em processo

Essa  imagem é fragmento de um trabalho em processo. O tema do trabalho é samba de gafieira. É um croqui do meu sketchbook trabalhado no photoshop. Existem certos personagens cariocas, tipos urbanos, que parecem onipresentes e se tornam parte do imaginário coletivo.  Essa morena, que chamei de "morena rosa" não é o retrato de ninguém, é um tipo, um tipo de morena que todo mundo tem na cabeça, cada um a sua. É um frankenstein de dezenas de morenas que vi ao longo da vida. Na minha cabeça ela tem grandes olhos verdes, tornando-se ainda mais fatal. É um tipo quase atemporal. Tanto é que, desconfio que Baudelaire (1821-1867) participa desse imaginário coletivo quando escreve em "Flores do Mal", um poema intitulado "A uma dama crioula". Prova que a admiração dos gringos pelas mulheres negras, verdadeiras forças da natureza, já é coisa de longa data. Ele diz assim:

No inebriante país que o sol acaricia,
Sob um dossel de agreste púrpura bordado
E a cuja sombra nosso olhar se delicia,
Conheci uma crioula de encanto ignorado.

A graciosa morena, cálida e arredia,
Tem na postura um ar nobremente afetado;
Soberba e esbelta quando o bosque a desafia,
Seu sorriso é tranquilo e seu olhar ousado.

Caso viesses, Senhora, à heróica e eterna França,
Junto às margens do Sena ou onde o Loire se lança,
Tu que és digna de ornar os solares altivos,

Farias, ao abrigo das sombras discretas, 
Mil sonetos brotar no coração dos poetas,
Que de teus olhos, mais que os negros, são cativos.

sábado, 3 de julho de 2010

Desenho na Urca



Sábado de Sol no Rio de Janeiro. Para variar, acordo atrasado para a aula de chorinho na Urca, tenho que sair correndo. Não vou de carro, o dia está tão bonito, que cidade, que sorte. Pedaladas apressadas pela Glória. Da confeitaria sai um cheiro delicioso, mas não dá pra parar, sigo em frente, rumo ao aterro. Passo ligeiro pela passarela do Reidy e pelos jardins do Burle Marx. Um olhar rápido em tom de agradecimento na direção do Outeiro. Meu chapéu Panamá sai voando da cabeça. Com reflexos surpreendentemente apurados, cato o chapéu no ar, sem parar a magrela e sem olhar pra trás. Bruce Lee ficaria com inveja de tanta habilidade. Afundo a cabeça no chapéu e toco o barco, ou melhor, a bike. Os atletas de final de semana passam pra lá e pra cá, a galera toca a bola na pelada, alguém grita meu nome – Rafaaa!!! - Mas não dá pra parar a bike e olhar pra trás, tô atrasado. Respondo o cumprimento com um aceno, mas não tenho idéia de quem me grita.

Botafogo logo ali, a vista do Pão de Açúcar acaba com qualquer mau humor, o vento na cara, o Cristo, o mar, o Sol, tudo perfeito (menos o Mourisco). Meninas de bicicleta pedalam pela ciclovia, me lembro de Vinícius: transitórias estátuas, esfuziantes de azul, louras com peles mulatas, princesas da zona sul. Um buraco me traz de volta à rota, mas o dia está perfeito e Vinícius insiste em pendurar-se no trapézio da minha mente: que douradas maravilhas! Bicicletai, meninada, aos ventos do Arpoador, solta a flâmula agitada das cabeleiras em flor, uma correndo à gandaia, outra com jeito de séria, mostrando as pernas sem saia, feitas da mesma matéria...enxames de namoradas ao sol de Copacabana, centauresas transpiradas que o leque do mar abana! A vós o canto que inflama os meus trin’anos, meninas, velozes massas em chama explodindo em vitaminas.

Finalmente, Urca. Chego em cima da hora da aula. O sábado sempre começa bem ao som de Jacob do Bandolim, Pixinguinha, Anacleto de Medeiros. O dia pede uma trilha sonora e essa está mais que adequada.

Depois desse “estresse” todo, pego minha bike e vou pra Praia Vermelha (armado de lápis, papel e aquarela), onde havia marcado encontro com alguns alunos de desenho. Tento escolher um tema para desenhar, mas o Pão de Açúcar é quase irresistível. Resolvo fazer uma aquarela para dar conta da luz da tarde que bate na montanha. Aproveito pra colocar minha magrela na composição, desenho a palmeira um pouco mais pra direita, de modo que não atrapalhe a vista do Pão de Açúcar. Passo a tarde ali, curtindo o sábado de Sol em minha cidade maravilhosa. Está ai o resultado.

terça-feira, 25 de maio de 2010

CADERNOS URBANOS na Urca

No dia 05/06/2010 o CADERNOS URBANOS vai ser especial. Vamos nos encontrar na Escola Portátil de Música (EPM). Fica dentro do campus da UNIRIO, na Av. Pasteur, Urca. Neste dia vai rolar o tradicional Bandão que é um concerto a céu aberto com todos os alunos da EPM, eu inclusive. Só que este Bandão fará parte do Folle Journée, um festival internacional de música muito importante. Vai ser muito legal. É aberto ao público, só chegar.
Queremos bater o recorde de alunos tocando (um pouco mais de 400 alunos).
Uma boa pedida é desenhar os músicos, afinal, eles geralmente rendem ótimos trabalhos.

Repertório Bandão - Folle Journée. Sábado, 05/06, às 12:30h.

1. Boêmios (Anacleto de Medeiros) - Arranjo Anacleto de Medeiros
2. Naquele tempo (Pixinguinha) - Arranjo Pixinguinha
3. Aí, Morcego (Irineu de Almeida) - Arranjo Marcílio Lopes
4. Sentimento Carioca (Álvaro Carrilho/Mauricio Carrilho) - Arranjo Maurício Carrilho
5. Chorando (Candinho) - Arranjo João Gabriel Souto
6. Zeppelin (J.J.Araujo) - Arranjo Paulo Aragão
7. Ingênuo (Pixinguinha) - Arranjo Pixinguinha
8. Farrula (Anacleto de Medeiros) - Arranjo Mauricio Carrilho
9. Um Chopin no Bar Urca (Adaptação do Scherzo op. 31 por Paulo Aragão)
10. Yao (Pixinguinha) - Arranjo Pixinguinha
11. Benguelê (Pixinguinha) - Arranjo Pixinguinha

O Bandão deve acabar às 13:30 e ai partiremos para a Praia Vermelha com nossos cadernos e procuraremos por uma paisagem que nos observe. Imperdível. Espero por todos.
aquele abraço.

CADERNOS URBANOS no CCBB

No dia 29/05/2010 o CADERNOS URBANOS vai invadir o CCBB. Levem seus cadernos e nos encontrem às 13:30hs no hall principal. Vai ser uma aula de tratar das grandezas do ínfimo, do amor pelas coisas desimportantes e dos deslimites da nossa capacidade de transver o mundo pelo desenho.